
A diretora da Escola Municipal Odair Lúcio, em Gurupi, Carla Martins de Barros, solicitou afastamento voluntário do cargo após a repercussão de declarações feitas em vídeo publicado nas redes sociais sobre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Educação, que instaurou procedimento de sindicância para apurar o caso.
Conforme dados do Portal da Transparência, a servidora é efetiva do município desde 2018 e ocupa o cargo com jornada de 40 horas semanais, recebendo salário de R$ 9.612,80.
No vídeo divulgado na terça-feira, 3, a então gestora classificou o transtorno como “da moda” e afirmou que todas as crianças devem receber o mesmo tipo de tratamento. Durante a gravação, relatou questionamentos que recebe sobre não compreender a agressividade de crianças com o transtorno. “Não é que eu não entenda, mas limite todo ser humano precisa ter. Eu não saio da minha casa para apanhar e não permito que ninguém que esteja ao meu lado passe por essa situação”, declarou.
Em outro trecho, ao abordar a condução da escola e a responsabilidade dos responsáveis, afirmou: “Você que cuida do seu ‘alecrim dourado’, que dê limite a ele. Você que cuide, assim como todos nós cuidamos das crianças típicas. Típica ou não, não interessa. O ser humano nasceu para ser treinado e ele tem condições perfeitas”.
As declarações geraram repercussão nas redes sociais e entre membros da comunidade escolar, especialmente por envolverem tema sensível relacionado à inclusão e ao atendimento educacional especializado.
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação informou que, desde que o caso ganhou visibilidade, a prefeita Josi Nunes determinou o acompanhamento da situação com a adoção das medidas legais cabíveis. A Procuradoria-Geral do Município de Gurupi foi acionada para instaurar sindicância, com o objetivo de apurar os fatos e eventuais responsabilidades administrativas.
Segundo a pasta, a diretora solicitou o afastamento voluntário de suas funções para que a apuração ocorra com isenção. Ela também se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos no decorrer do procedimento.
A Prefeitura não informou prazo para conclusão da sindicância. O espaço segue aberto para manifestações das partes envolvidas.
A prefeita Josi Nunes (UB) fez questão de ir as redes socias e gravou um vídeo sobre o tema. Após destacar todas as ações de atendimento e acolhimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no município, a gestora anunciou procedimento para investigar responsabilidades. “Somos defensores e parceiros da causa autista. Reafirmo que em nossa gestão. Não compactuamos com nenhum fato que viole direitos da pessoa. Desde que tomei conhecimento do ocorrido, determinei a apuração imediata dos fatos. Vamos conversar com todos os envolvidos, analisar com responsabilidade e tomar todas as medidas cabíveis e legais que o caso exige”, afirmou.
A Câmara de Gurupi emitiu nota para reforçar que não compactua com qualquer manifestação que possa ser interpretada como incentivo à violência ou revide contra crianças, inclusive aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “A solução para situações de conflito no ambiente escolar jamais pode ser a violência, mas sim o diálogo, a capacitação profissional, o acompanhamento especializado e o suporte institucional adequado. Esta Casa de Leis tem defendido de forma contínua e responsável a pauta da inclusão, da educação especial e da proteção às crianças atípicas”, afirmou em nota.
