
A Prefeitura de Gurupi deu início, nesta terça-feira (10), à oferta do implante contraceptivo Implanon pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira inserção do método foi realizada na Clínica da Mulher, unidade de referência no atendimento à saúde feminina no município. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Saúde e marca um avanço nas políticas públicas voltadas ao planejamento reprodutivo.
O implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel, conhecido como Implanon, é considerado um dos métodos mais modernos e eficazes de prevenção da gravidez. Na rede privada, o dispositivo pode ultrapassar R$ 2 mil, sendo que apenas o implante costuma custar entre R$ 800 e R$ 1.200 em farmácias, sem incluir o procedimento de inserção.
Agora, o método passa a ser disponibilizado gratuitamente pelo SUS em Gurupi, por meio de uma ação do Ministério da Saúde em parceria com os municípios.
Quantidade limitada e critérios técnicos
Para esta primeira etapa, Gurupi recebeu 266 unidades do implante, número considerado limitado. Por isso, a Secretaria de Saúde estabeleceu critérios técnicos rigorosos para priorizar pacientes com maior necessidade clínica e social.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Luana Nunes, a implantação do método representa um passo importante para ampliar o acesso a tratamentos e métodos contraceptivos mais eficazes.
“Mesmo com essa quantidade inicial reduzida, já é um marco muito importante para a saúde da mulher em Gurupi, considerando a eficácia do Implanon tanto na prevenção da gravidez quanto no auxílio ao tratamento de condições como endometriose, adenomiose e sangramentos uterinos disfuncionais”, destacou.
Seleção das pacientes
A coordenadora da Clínica da Mulher, Clara Marrafon, explicou que as pacientes passam por uma avaliação criteriosa realizada pelas equipes de saúde antes da indicação do método.
“Para a escolha da paciente que vai receber o método, a gente tem vários critérios. A paciente que recebeu hoje é menor de idade, tem diagnóstico de endometriose e apresentava dificuldade de adaptação ao uso da pílula anticoncepcional. Então são vários fatores analisados”, afirmou.
Segundo ela, a chegada do Implanon amplia as opções de planejamento familiar disponíveis na rede pública.
“É um marco na saúde da mulher. Estamos testemunhando um avanço no planejamento familiar. As mulheres passam a ter um leque maior de opções de métodos contraceptivos disponíveis pelo SUS”, ressaltou.
Primeira paciente relata experiência
A primeira paciente a receber o implante tem 15 anos e convive com sintomas de Endometriose desde os 10 anos de idade. A doença provoca dores intensas e alterações no ciclo menstrual.

Ela contou que estava apreensiva antes do procedimento, mas se surpreendeu com a tranquilidade da aplicação.
“No começo eu senti um pouco de medo, mas depois vi que não era nada demais. Foi muito tranquilo, praticamente não senti nada. É uma dor bem leve. Agora eu me sinto feliz, é um sentimento de conquista, porque sei que vai me ajudar muito”, relatou.
O implante foi indicado para auxiliar no controle dos sintomas da doença, como cólicas intensas, dores nas costas e sangramentos.
Esperança para a família
Para a mãe da adolescente, Mayara Martins da Silva, o acesso ao método pelo SUS representa uma nova perspectiva para a qualidade de vida da filha.
“Para nós é um marco muito grande, porque já são cinco anos acompanhando minha filha sofrer com a endometriose. Agora, com esse método, temos a possibilidade de melhorar muito as dores e os fluxos. Quem tem endometriose consegue levar uma vida normal, mas passa por muitas dificuldades, principalmente com as dores. Esse método vem para amenizar esses problemas e trazer mais qualidade de vida”, afirmou.
Benefícios do método
A médica Marcosa Azevedo, responsável pela aplicação, explicou que o Implanon é um contraceptivo hormonal implantado sob a pele do braço e que pode permanecer no organismo por até três anos.
“O Implanon é um contraceptivo subdérmico que é inserido na primeira camada da pele. Ele libera pequenas doses hormonais de forma contínua e pode permanecer no organismo por até três anos. Além de evitar a gravidez, ele também pode ajudar mulheres que apresentam sangramentos excessivos, cólicas intensas, endometriose e outras alterações menstruais”, explicou.
Segundo a médica, o método também pode contribuir para reduzir ou até interromper o ciclo menstrual em algumas pacientes, o que ajuda a amenizar sintomas associados a diversas condições ginecológicas.
Como ter acesso
Devido ao número limitado de implantes disponíveis, as pacientes passam inicialmente por avaliação nas Unidades de Saúde da Família (USF). Quando identificados os critérios de elegibilidade, elas são encaminhadas para a Clínica da Mulher, onde profissionais habilitados realizam a avaliação final, orientações, solicitação de exames e a inserção do dispositivo.
A expectativa da Secretaria de Saúde é que, com a ampliação do envio de unidades do implante, mais mulheres possam ter acesso ao método na rede pública nos próximos meses.
