
As empresas brasileiras captaram R$ 337,9 bilhões no mercado de capitais doméstico no primeiro semestre, valor recorde para o período e que representa um aumento de 119% sobre os primeiros seis meses do ano passado. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A renda fixa dominou os volumes e representou quase 90% do total. A renda variável, por sua vez, seguiu a passos lentos.
Ao todo, foram emitidos R$ 305 bilhões em diferentes instrumentos de renda fixa, avanço de 138% sobre o primeiro semestre de 2023, quando o mercado ficou quase parado durante alguns meses por causa das crises da Americanas e da Light.
No caso da renda variável, as emissões somaram R$ 4,9 bilhões, queda de 64% na mesma comparação. Os instrumentos híbridos, por sua vez, totalizaram R$ 28 bilhões no período, alta de 122%.
O presidente do fórum de estruturação de mercado de capitais da Anbima, Guilherme Maranhão, afirma que, no primeiro semestre, foram registradas emissões fortes em diversos instrumentos, o que dá “confiança de que o mercado vai continuar forte” ao longo do ano. Ele se mostrou ainda otimista em relação à possível estreia de uma empresa na bolsa brasileira neste ano — algo que não acontece desde 2021.
As emissões de debêntures registraram o maior volume da série histórica para o período, ao ficarem em R$ 206,7 bilhões. Foram 289 emissões no primeiro semestre e, dessas, 73 superaram R$ 1 bilhão. O prazo médio das ofertas foi de 7,5 anos. Os setores de infraestrutura (energia elétrica, transporte, logística e saneamento) representam 43,7% do volume. As debêntures incentivadas, especificamente, movimentaram R$ 64,4 bilhões de janeiro a junho, valor também recorde.
Outras máximas foram registradas nas operações de certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA), que somaram R$ 31,4 bilhões e R$ 19,4 bilhões, respectivamente, e nas de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que ficaram em R$ 34,3 bilhões.
Maranhão afirma que, com o mercado muito aquecido, ainda não foi possível identificar qual foi o efeito das limitações à emissão de títulos incentivados, estabelecidas em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sobre CRIs e CRAs. “Vamos precisar de mais tempo e de um mercado mais normal para avaliar”, disse. Os instrumentos híbridos, comentou ainda, “continuam surpreendendo, o que mostra que o mercado também têm buscado diversificação”.
Sobre as ofertas de ações, Maranhão diz que as incertezas quanto à situação fiscal no país e ao ritmo de corte de juros nos Estados Unidos têm postergado a retomada das ofertas. “Mas é bem possível que a gente tenha IPOs [oferta inicial de ações] ainda este ano. Se as companhias enxergarem janela, vão aproveitar, não tem por que não”, afirma.
Em relação às perspectivas para as emissões no mercado externo, Maranhão disse que as eleições nos Estados Unidos podem trazer alguma volatilidade, mas que espera também “janelas” de captação para “bonds” no segundo semestre. Nos primeiro seis meses do ano, foram 14 emissões no mercado externo, que somaram US$ 13,7 bilhões.
