
A Polícia Federal apura um encontro extraoficial do ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin) e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem, com o atual diretor da agência, o delegado federal Luiz Fernando Corrêa. A reunião, que teria ocorrido dentro da Abin em junho do ano passado, foi um dos assuntos tratados no depoimento que Ramagem prestou nesta quarta-feira (17) à Polícia Federal, no Rio, de acordo com fontes consultadas pelo Valor.
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O deputado federal do PL foi chamado para depor no âmbito do inquérito que investiga monitoramento ilegal feito pela Abin para espionar autoridades e opositores durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Foi a primeira vez que Ramagem depôs sobre o caso. Na quinta-feira (11), a PF realizou mais uma operação, dessa vez mirando subordinados do parlamentar na época que comandou a Abin. Apesar de não ter sido alvo da ação, foi citado pela PF como um dos mandantes do esquema.
Ramagem chegou de carro à sede da PF no Rio por volta de 15h, com apenas um acompanhante. O deputado não falou com a imprensa. Nas mãos, segurava pasta com o brasão da República. Procurado pela reportagem, Luiz Fernando Corrêa não atendeu às ligações. O depoimento de Ramagem durava mais de cinco horas até o fechamento desta edição.
Segundo aliados, Ramagem foi à PF “disposto a responder tudo, a colaborar e a esclarecer todos os fatos”. Interlocutores afirmam que o deputado defendeu o ex-presidente no depoimento, pois ele “nunca pediu nada que fosse contra as leis”. A oitiva é vista pelo entorno de Ramagem como uma “possibilidade de explicar tudo que foi construído de forma negativa” contra Bolsonaro e seu grupo político. O deputado nega que tenha cometido qualquer tipo de monitoramento ilegal na gestão dele na Abin.
