
Os juros futuros fecharam o pregão desta quarta-feira (17) em alta ao longo de toda a extensão da curva, em um dia marcado pela agenda fraca no ambiente doméstico e pela liquidez bastante limitada de negócios. A valorização do dólar frente ao real, no entanto, acabou contribuindo para o avanço das taxas hoje.
Agentes também acompanharam os sinais emitidos por autoridades do Federal Reserve (Fed), bem como dados de atividade nos EUA, enquanto permanecem aguardando a divulgação do relatório de avaliação de receitas e despesas do Tesouro Nacional próxima na segunda-feira (22).
No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 subiu de 10,575% do ajuste anterior para 10,62%; a do DI para janeiro de 2026 avançou de 11,10% para 11,205%; a do DI para janeiro de 2027 passou de 11,365% para 11,44% e a do DI para janeiro de 2029 foi de 11,725% para 11,775%.
Diante da espera dos agentes financeiros com a divulgação do relatório do Tesouro na próxima segunda-feira, a liquidez dos negócios foi bastante limitada. O mercado segue evitando montar grandes apostas direcionais antes do documento, considerado essencial para medir o compromisso do governo com o cumprimento das metas do arcabouço fiscal.
Assim, pouco mais de R$ 36 bilhões foram negociados no contrato do DI para janeiro de 2025 nesta quarta-feira. Em 2024, a média diária negociada no contrato é de aproximadamente R$ 83 bilhões.
Neste contexto de poucos negócios, a pressão no mercado de juros se deveu, principalmente, ao desempenho do câmbio. O dólar comercial subiu 1% frente ao real hoje e fechou o dia negociado a R$ 5,4833. Operadores voltaram a atribuir o comportamento da moeda ao fortalecimento do iene, que acabou provocando um desmonte forçado de operações de “carry trade”, a exemplo do que ocorreu na semana passada.
No cenário externo, agentes acompanharam declarações de dirigentes do Federal Reserve, após, nos últimos dias, o mercado ter passado a discutir a possibilidade de os cortes de juros nos Estados Unidos terem início já na reunião de julho. De acordo com dados do CME Group, há probabilidade implícita de aproximadamente 5% de uma redução nos Fed Funds em julho. Para a reunião de setembro, o mercado atribui cerca de 98% de probabilidade.
Em entrevista concedida ao “The Wall Street Journal” ontem, o presidente da distrital de Nova York do Fed, John Williams, reforçou a percepção de que o banco central americano deve esperar até setembro para começar a reduzir os juros.
Hoje, o presidente da distrital de Richmond, Thomas Barkin, disse que a expectativa de que seria necessária uma recessão para reduzir a inflação não se concretizou e que a batalha para conseguir a estabilidade de preços nos EUA está claramente no fim. Mais tarde, o diretor do Fed, Christopher Waller, disse que a análise de potenciais cenários revela que a hora de iniciar o afrouxamento monetário nos EUA se aproxima.
“Ainda que tenhamos caminho pela frente, a entrevista do Williams e o discurso do Waller me dão muito mais confiança que teremos um corte de juros na reunião de setembro, mesmo com dados vindo em linha com consenso – só sendo postergado o começo do ciclo se tivermos um início do terceiro trimestre como foi o primeiro trimestre de 2024. Ainda que isso já esteja precificado pelo mercado, creio que o reforço dos dados e dos discursos são importantes, basta ver a quantidade de vezes que o mercado se enganou com esse início de ciclo nos últimos 12 meses”, afirmou o economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, em publicação em rede social.
Para além dos sinais para a condução da política monetária, dados de atividade econômica nos Estados Unidos também são monitorados. A produção industrial americana subiu 0,6% em junho ante maio, acima do aumento esperado de 0,3%, conforme consenso das projeções de analistas consultados pelo “The Wall Street Journal”.
Neste contexto misto, os rendimentos dos Treasuries encerraram o dia próximos da estabilidade. O juro da T-note de 2 anos subiu de 4,426% para 4,448%, enquanto a taxa da T-note de 10 anos oscilou de 4,163% para 4,164%.
