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Economia

Não há sinal de ‘catástrofe’ em múltiplos altos em ações, diz Howard Marks | Finanças

Por Milkylenne Cardoso 24 de julho de 2024
Não há sinal de ‘catástrofe’ em múltiplos altos em ações, diz Howard Marks | Finanças

Reconhecido por suas publicações sobre ciclos de economia e mercados, Howard Marks, fundador e presidente da Oaktree, gestora que reúne quase US$ 200 bilhões, não vê grandes excessos nos preços dos ativos atuais.

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Tomando como exemplo o índice americano S&P 500, ele disse que muitos dos “múltiplos altos estão restritos a um punhado de ações de tecnologia” e que grande parte das empresas listadas não apresenta a mesma dinâmica. O múltiplo de preço/lucro (P/L, que dá uma ideia de prazo de retorno do capital investido) está na casa dos 22%, ante média de 16%, puxado pelas companhias ligadas ao universo de chips e inteligência artificial.

“Não vejo excesso de otimismo ou setores superaquecidos na economia. Não há muitos guindastes na construção, não há um acúmulo de estoques e as pessoas estão preocupadas com a questão política e o cenário macro global”, disse Marks ao participar remotamente de evento da Avenue, realizado nesta quarta-feira em São Paulo.

“Não que as ações estejam baratas, certamente não estão, provavelmente estão sequer avaliadas corretamente, estão um pouco mais altas, mas nada preocupante.”

Olhando para um horizonte de três a cinco anos, Marks acha que os retornos podem ficar abaixo do comum, “mas sem uma catástrofe”. Ele acrescentou que alguns acham que há preços excessivos, mas que ele próprio não conhece as grandes empresas de tecnologia para saber se o investimento faz sentido.

No segmento de crédito, a boa notícia, prosseguiu, é que os retornos prometidos estão mais altos do que há muito tempo e é possível comprar papéis “high yield” (de maior risco e potencial de ganhos) com taxas entre 7,5% a 9% ao ano. E até acima disso para dívidas mais estressadas. São taxas impensáveis quando comparadas ao ciclo de juros muito deprimidos que perdurou do fim de 2008 a 2021.

“Quando se passa um longo tempo com juro entre zero e 0,50% as pessoas encaram esse ambiente como normal”, afirmou Marks. “Mas não é. Juros baixos ou em queda constante têm certos desfechos. E se nos anos que estão por vir não forem superbaixos ou em queda, os impactos nos investimentos são diferentes.”

Conforme explorou na sua carta aos investidores no fim de 2023, Marks disse que houve uma mudança de maré significativa, que não se trata de uma oscilação de curto prazo. Deu como exemplo um empréstimo pessoal que fez na década de 1980, a 2,25% ao ano, e que recebeu mensagem do banco informando que a taxa subiu em 2 mil pontos. “Parece o Brasil”, brincou Marks. “O jogo mudou e o retorno do crédito se tornou bastante substancial.”

Sua recomendação é investir cedo e aguentar firme os períodos de maior adversidade, evitando buscar o momento certo de entrar e sair de um investimento. Uma segunda lição é que as pessoas nunca devem imaginar que sabem o que vai acontecer do lado macroeconômico. “Nunca sabem, as reviravoltas do mercado e da economia são difíceis de prever.” Mas se o investidor tiver paciência, vai compondo retornos de longo prazo. Agir com muita ousadia, com base na ilusão do conhecimento costuma acabar mal. “Entrar e aguentar recompensa, é muito mais confiável do que ficar torcendo pelo retorno no entra e sai, poucas pessoas fazem isso com sucesso.”

Howard Marks, CEO da Oaktree — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Fonte: valor.globo.com

Milkylenne Cardoso 24 de julho de 2024 24 de julho de 2024
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